terça-feira, 25 de abril de 2017

A ESQUERDA TERÁ QUE ESTAR NA MESA DE NEGOCIAÇÃO

A ESQUERDA TERÁ QUE ESTAR NA MESA DE NEGOCIAÇÃO
O fato é que o Brasil atravessa um momento de extrema delicadeza em sua trajetória política e social. O governo sempre esteve nas mãos dos ricos ou dos que se achavam ricos, numa espécie de seleção arbitrária sobre quem pode e deve governar uma nação que é considerada como uma grande fazenda de alguns fazendeiros. Os que não são parte da família “real” não terão acesso ao poder porque governar é coisa de rico ou de burguês.  Democracia é o rico mandar no pobre e se houver inversão já virou ditadura. O governo burguês se orienta pelos resultados da economia e nada mais interessa, mesmo que as riquezas produzidas pela economia pujante, fiquem nas mãos de meia dúzia de famílias deixando as demais, que são milhares, a implorar por alguma oportunidade de vida digna. Os burgueses que se beneficiam do poder conseguem resolver os problemas de seus filhos e netos nas escolas particulares, nos convênios médicos e na segurança privada.
Os plebeus brasileiros conseguiram furar o cerco e elegeram um presidente que não era burguês e que conseguiu estabelecer novas correlações entre povo e governo, mas foi só um cochilo e tudo foi para o brejo, porque a burguesia assim que notou os primeiros sinais de fraqueza do sistema popular que governava, direcionou todos os canhões rumo à destruição do que tanto lhe incomodava. Não contavam então, com a possibilidade de a plebe ter conseguido se fortalecer enquanto governo e ter reservado forças para se manter na luta pelo mesmo poder que lhes foi retirado de forma abrupta.
O judiciário está a serviço da burguesia já que tem dado prioridade aos processos que evolvem os ex-presidentes com clara intenção de enfraquecer as forças populares. Tudo orquestrado de forma a ignorar a vontade do povo que pode pretender participar do processo de reconstrução da nação, mas não foi consultado no impeachment e nem será consultado se houver outra eleição para presidente de imediato porque quem comandou o impeachment foram os deputados e que irá eleger o novo presidente caso seja necessário serão os deputados e senadores.
Querem condenar e prender o Lula rapidamente porque ele tem forças para tentar se eleger de novo e isso seria o caos segundo as convicções da burguesia economicamente ativa.
O Juiz que controla os processos mais importantes errou clamorosamente ao admitir mais de 80 testemunhas arroladas pelo Lula e errou quando quis dar o troco determinando o comparecimento do Lula a todas as audiências, coisa que alei processual não prevê e ninguém pode ser obrigado a fazer algo que a lei não determina. Agora vai rever a decisão equivocada ao ver que a ida do Lula ao fórum poderá se transformar em um acontecimento político de enormes proporções e ocupar as capas de todos os maiores jornais do mundo.
A polícia federal já declarou que não tem condições de garantir a segurança em Curitiba caso o Lula seja convocado e pediu adiamento das audiências.
Parece que na força não vai dar certo e o final poderá ser uma grande negociação onde todas as forças políticas, inclusive as de esquerda estejam na mesa de negociação.
Aguardemos.

João Lúcio Teixeira

segunda-feira, 17 de abril de 2017

RELIGIÃO NA POLÍTICA É PROBLEMA

RELIGIÃO NA POLÍTICA É PROBLEMA
A discussão sobre a religiosidade teve o seu começo por volta do ano 800 antes de Cristo, com as civilizações Grega, Chinesa e Indiana, ocasião em que os pensadores Gregos passaram a questionar a irracionalidade da dependência religiosa, e passaram a buscar explicações racionais para os fatos da vida. Os homens começaram a questionar a submissão a Deus para solucionar problemas cotidianos, e passaram a pesquisar a formação do universo e suas influências na vida das pessoas. Eram os primeiros passos do pensamento filosófico que brotava na mente humana e fazia com que a razão passasse a substituir a alma como único elemento etéreo da pessoa viva. O que era chamado de espirito ou alma, passava a ser conhecido como mente, tema que bem mais tarde foi pesquisado por Freud, o pai da psicanálise, que qualificou a mente como o elemento fundamental da elaboração dos pensamentos e memórias. Chegou-se à conclusão de que o homem material nasce sem qualquer registro de memória e vai aos poucos colecionando conteúdo nas suas vivências, para compor o que se chama de caráter ou conjunto de caracteres que lhe dão a identidade social. Segundo Freud o homem nasce como uma folha de papel em branco e vai adquirindo conhecimentos ao longo da vida. Por isso existe a afirmação de que o homem é produto do meio em que vive. A criança que recebe uma educação equilibrada de pais equilibrados e de comportamento social bem aceito, têm maior probabilidade de serem adultos bem resolvidos e bem recebidos em quaisquer meios sociais.
A religiosidade teria nesse contexto a finalidade de servir como ferramenta ou instrumento de aplicação prática do respeito e da moral social, sem, contudo ser elemento fundamental na construção do caráter que dependerá de muitos outros fatores.
O cristianismo teve enorme participação na construção das sociedades primitivas e serviu de instrumento de controle social quando tudo era muito rudimentar em matéria de sociedade civil, e as pessoas acabavam pautando o seu comportamento no material religioso. Que Jesus existiu e foi historicamente um dos mais importantes homens do mundo, não há dúvida, e os ensinamentos religiosos seguem sendo muito importantes para as estruturações comportamentais.
Esse ponto também passa agora a ser criticado, na questão política onde inúmeros religiosos estão sendo pilhados pela justiça por envolvimento em atos de corrupção, a mostrar que a religiosidade não está isenta de críticas. Deputados e outros ocupantes de cargos eletivos podem ter usado a crença de seus fiéis para atingir o poder e dele se beneficiarem.
O que era mais sagrado está sendo questionado, e o povo vai acabar se afastando das religiões do mesmo jeito que já está se distanciando da política, se religiosos desonestos continuarem a usar a fé para galgarem poder político e agirem de má fé como tem ocorrido.
Há quem diga que os religiosos corruptos não irão prejudicar a fé do povo, mas há quem diga que se não dá para separar o joio do trigo, terá que prevalecer a ideia de que o bom religioso deve permanecer no templo e não nos palácios.

João Lúcio Teixeira 

quarta-feira, 29 de março de 2017

TOMA LÁ DÁ CÁ

Agora é lei, e todas as atividades profissionais podem ser objeto de terceirização, salvo raríssimas exceções. A realidade é que quase tudo é permitido em matéria de contratação de trabalhadores. O foco dessa lei é regulamentar a situação que já vem sendo verificada há mais de duas décadas, com empresas de determinado ramo de atividade e cujos pisos salariais estabelecidos por acordos e convenções trabalhistas, são considerados muito altos. Um caso exemplar é o da General Motors em São José dos Campos, cujo sindicato dos metalúrgicos é considerado bastante forte e vem conseguindo subir o piso salarial a cada negociação anual. Se o piso dessa empresa estiver na faixa de 2.500 reais, mera estimativa para fins de raciocínio, ela poderá agora contratar trabalhadores por meio de empresas que não estejam enquadradas na mesma categoria sindical e pagar salários menores e bem diferentes do piso da sua categoria. O resultado dessa nova realidade é a possibilidade dessas empresas demitirem os funcionários efetivos e realizar grande parte de suas atividades através de mão de obra terceirizada.
Os movimentos sindicais estão se manifestando contrários à referida lei, porque, certamente, haverá um enfraquecimento da política sindical que antes detinha o monopólio da representação dos trabalhadores de determinada categoria e isso sempre fortalece os movimentos. Com a nova regra, a empresa disporá de um poder maior de barganha diante da possibilidade de usar terceiras empresas ao invés de empregados seus.
Os movimentos sindicais, no Brasil surgiram por volta de 1903 com as ligas camponesas, logo reconhecidas como sindicatos rurais, para em 1907 surgirem outros movimentos de caráter urbano. O resultado da pressão dessas organizações culminou em 1943 com a normatização da relação patrão-empregado através da Consolidação das Leis Trabalhistas, sancionada por Getúlio Vargas, presidente do Brasil à época, lei que vigora até hoje com inúmeras modificações.
De lá até os dias de hoje o movimento sindical alastrou-se tendo conseguido a façanha de eleger um presidente da república oriundo das massas trabalhadoras.
Altamente politizado, o movimento tem sofrido alguns revezes, como ocorreu também na Polônia com um presidente operário o Lech Walesa, cuja permanência no poder durou pouco, mas serviu de escola para o Brasil chegar ao poder.
O fortalecimento dos movimentos operários no Brasil, trouxe certos benefícios elogiados pelo mundo, como redução da miséria, e atendimento de outras demandas oriundas do estado de pobreza em que muitos brasileiros se encontravam. Tudo dava sinal de que seria duradoura a permanência do trabalhador no poder, mas a maldita corrupção, já anunciada no livro “A revolução dos bichos” de autoria do escritor inglês George Orwell, que existe atualmente em filme do mesmo nome “A revolução dos bichos”, acabou por infectar o governo popular brasileiro interrompendo da trajetória do que se dizia “governo socialista”.
Algumas conquistas obtidas nessa época estão sendo revistas, e certamente, haverá perdas como as já anunciadas como a reforma da previdência social, as mudanças das leis trabalhistas, a tal lei da terceirização, e outras alterações que deverão ressaltar a queda de braço entre capital e trabalho. Um governo trabalhista, de viés socialista busca aumentar as conquistas dos trabalhadores, enquanto que o governo capitalista olha para a economia e os lucros dos setores empresariais.
Essa queda de braço pode ser benéfica por não permitir perpetuação e excesso de poder a nenhuma das duas vertentes, mas há que se equilibrar na alternância, de forma que o capital desenvolva os seus desejos básicos com lucros não exorbitantes que mantenham os investimentos, e o trabalhador consiga conquistar melhores condições de vida sem crises e desempregos.
As mudanças que o governo atual, de cunho capitalista deseja implementar, têm a sua justificativa, nos excessos praticados durante os tempos em que o governo socialista deixou acontecer desmandos, corrupção e deterioração de empresas e setores que deveriam dar suporte ao desenvolvimento humano sonhado e desejado.
Como ocorreu no Chile, em que o socialismo que havia perdido o poder voltou a conquista-lo, não seria surpresa se os movimentos de trabalhadores voltassem a eleger governo de sua vocação e voltassem a conquistar novas situações favoráveis aos trabalhadores.
Nos Estados Unidos, neste ano de 2017 está ocorrendo o mesmo fenômeno, com um presidente Republicano, de vocação capitalista ortodoxa, o Trump, que vem tentando desarticular políticas sociais como o sistema de saúde universal denominado de “Obamacare”, instituído pelo presidente Obama que governava com vocação menos capitalista. O fenômeno da disputa de forças entre capital e trabalho é universal e ocorre sistematicamente em todas as regiões do mundo. Quando um está no poder o outro tenta derrubar e depois inverte.
O atual presidente Temer do Brasil, vai tentar aprovar medidas do interesse do capitalismo empresarial que não se mostra menos corrupto do que o sistema de governo que o antecedeu, e é inevitável, com o atual estágio cultural do Brasil, que, por algum tempo, o poder público siga ocupado por políticos contaminados pelos males da história recente, viciados na política suja do toma lá dá cá, até que a nossa democracia cresça e apareça.

quarta-feira, 22 de março de 2017

BRASIL DE NOVO NA UTI DA POLÍTICA

BRASIL DE NOVO NA UTI DA POLÍTICA
Os senhores deputados federais do Brasil, vendo a viola em cacos com essa tal lava jato, mostram o quanto o poder se parece com a areia movediça. Quem cai dentro do poder quanto mais se mexe mais afunda e não tem volta, se depender apenas deles os políticos que desejam se afundar cada vez mais nas mazelas do poder, e se possível morrerem por lá.
Os financiamentos de campanha não mais poderão ser feitos por empresas, mas somente por pessoas físicas e isso trouxe uma preocupação insuportável aos políticos de carteirinha que precisam se reeleger sempre, ou aos caciques partidários que desejam indicar quem deve ser eleito para que sigam dando e recebendo favorecimentos.
Querem mudar a lei eleitoral e a principal preocupação é a tal lista fechada em que os dirigentes dos partidos indicam os nomes que formarão a lista de candidatos de forma que os primeiros nomes da lista serão eleitos mesmo que não sejam os mais votados. O eleitor vota no Zé e elege o Mané, mesmo que o Zé tenha mais votos do que o Mané.
Ora, se a constituição de 1988 revigorou a democracia da eleição direta pelo voto livre do eleitor, quem decide quem vai ser eleito é o eleitor e não a direção partidária ou os caciques das legendas. Se vigorar a vontade dos deputados e vingar a ideia da lista fechada, estará instituído no Brasil o voto indireto como ocorria na época da maldita intervenção militar em que quem elegia os políticos era um tal colégio eleitoral e não o povo.
A meu ver a ideia é simplesmente inconstitucional se for proposta por lei ordinária como desejam os parlamentares, já que se todos são iguais perante a lei, no mínimo as indicações da lista fechada deveria ocorrer por sorteio entre todos os candidatos e nunca deforma a discriminar possíveis candidatos que irão figurar no fim da lista e nunca terão chances de serem eleitos. Será que os caciques topam compor a lista por sorteio feito pela justiça eleitoral e em evento público como o sorteio da loteria?
Se você acreditar nisso vai ter que acreditar em Papai Noel, coelho da páscoa e outras lendas.
Os deputados querem fazer a mudança por lei ordinária porque a mudança da constituição tem processo mais lento e não daria tempo de ser feita até o mês de outubro que é prazo máximo para que a mudança seja aplicada na próxima eleição. Se o fizerem por lei, a lei certamente será julgada inconstitucional pelo supremo se for questionada na justiça, isso se a lei for aprovada porque os deputados do baixo clero não vão querer aprovar uma lei que vai tirá-los da política. Isso mesmo, os deputados de menos votos nunca mais voltarão ao poder e eles são muitos. Parece que a tentativa vai dar em nada, mas como em política tudo é possível, temos que botar a barba de molho e esperar por mais uma agressão ao direito sagrado do voto livre e direto. Que tem que decidir quem deve ser eleito é o povo e não os partidos que nem de longe representam algo sério.
João Lúcio Teixeira - Jornalista MTb - 83.284

segunda-feira, 20 de março de 2017

QUANTO PIOR, PIOR

Fui a uma loja de um amigo, para um bate papo costumeiro e sempre cobrado por ele, quando percebi o seu descontentamento com a situação do comércio de roupas que ele pratica. Me disse que há muito tempo não vê uma “paradeira” como agora ocorre e que até se lembra do Sarney que deixou a nossa economia um verdadeiro inferno. Foi ele quem disse.
Segundo o desenrolar da conversa, até as fábricas de roupas estão pressionando os comerciantes com alegações do tipo: “sempre fomos parceiros e agora você não tem comprado mais”, como se houvesse um apelo por mais vendas que não são correspondidas pelo mercado.
Eu penso no que escrevi antes do “impeachment” quando afirmava que tirar um presidente e colocar outro, não resolve a questão econômica, porque economia é ciência e não é ciência como a política que trata de ideias vagas por ser ciência social, mas de ciência exata cuja base, é a matemática pura e simples adequada aos fundamentos econômicos. Economia tem tamanho, tem limites e tem a lógica que o mercado estabelece. Ninguém melhor o desempenho da economia por decreto, porque uma pessoa não vai comprar mais sal porque o preço tenha baixado ou consumir mais sorvete no inverno do que no verão porque as empresas fazem propaganda. Economia é ciência com equações matemáticas que estabelecem as regras de mercado e quem seguir à risca vai se dar bem.
O país pode aumentar o seu desempenho industrial e comercial se o mercado consumidor crescer, ou se o poder de compra dos consumidores aumentar, mas não porque mudaram o presidente da república da forma violenta com que se fez no Brasil, que praticou um processo de substituição que abalou a credibilidade na estabilidade do país como nação confiável. A nossa nota de crédito que estava horrível, está pior porque combatemos a febre sem eliminarmos a infecção, e agora sem um governo legitimado pelo voto popular, com aprovação de menos de 10% do povo, mostramo-nos vulneráveis aos olhos de quaisquer investidores que pensam duas vezes antes de acreditar em um país que se fez mais fraco.
A burguesia capitalista dizia que o governo estava indo em direção ao socialismo e isso não interessava ao grande capital. Por isso aproveitou um momento de enfraquecimento da imagem do governo para detoná-lo numa sanha sem precedentes. Diziam e ainda dizem que estamos diante da maior crise econômica da história, porque certamente não querem lembrar da história recente deste pais, quando a inflação era de 1.780% (mil setecentos e oitenta por cento) no ano de 1998, e dizem que em 2016 na tal maior crise econômica a inflação chegou perto de 10% (dez por cento).  Disseram cobras e lagartos, trocaram o poder político de forma brutal e agora a situação está pior do que estava quando a Dilma saiu e está piorando ainda mais, e eles querem atribuir a culpa ao governo que saiu.
A corrupção “flexou” no peito o principal articulador da troca de governo, o Cunha, que está preso por mal comportamento político.
Não é à toa que o Lula se não for contido pela mesma força bruta do capitalismo selvagem, se não derrubarem mais um avião, desta vez com o Lula dentro, o Brasil vai acabar de novo optando pelo socialismo moreno que o Brizola sonhava, e muitos outros defenderam.

As políticas socialistas do tipo que se desenhava no Brasil são bem menos perversas do que essa que se vê com desejos de reformas que só prejudicam os pobres e lhes retiram conquistas. 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

A LEI DO POVO FOI MUTILADA PELOS CORRUPTOS

LEI DE COMBATE À CORRUPÇÃO MUTILADA
A constituição brasileira permite que os deputados, senadores, vereadores, presidente, prefeitos e governadores, tenham legitimidade para elaborar projetos de lei e assim interferir no regramento jurídico que nos organiza.
A mesma constituição prevê que os cidadãos podem também elaborar projetos de lei de iniciativa popular caso as autoridades legitimadas não façam as leis que o povo quer ver aprovadas. Assim, 1% do número de eleitores do país, é suficiente para subscrever um projeto de lei, que se remetido ao poder legislativo, terá que ser submetido à votação.
A questão está no processamento desse tipo de matéria. A constituição não diz claramente se os deputados podem apresentar emendas ao projeto.
Aproveitando essa brecha os deputados federais do Brasil, ao invés de aprovarem ou rejeitarem simplesmente o projeto de iniciativa popular com dez medidas severas de combate à corrupção, que foi assinado eletronicamente por mais de 2 milhões de brasileiros, resolveram desfigurar o projeto com alterações que ao invés de combaterem a corrupção, acabavam por criar obstáculos a quem desejasse combate-la. Era os corruptos querendo combater os seus próprios vícios, ou seja, como se a raposa pudesse cuidar do galinheiro.
Eles modificaram tudo, e aprovaram na câmara, para em seguida enviarem o projeto para o senado votação.
Nesse meio tempo, o Supremo Tribunal Federal, entendeu que as modificações eram ilegais e mandou devolver o projeto para a câmara para que seja votado sem modificações, permitindo aos deputados aprovarem ou rejeitarem o projeto do jeito que ele foi encaminhado pelo povo.
O presidente da câmara deputado Rodrigo Maia, resolveu que vai conferir todas as assinaturas para depois pôr em votação, numa forma de ganhar tempo e boicotar o projeto que fere de morte os atuais políticos brasileiros que, em sua maioria, só consegue se eleger com uso de meios ilegais.
A pergunta que paira no ar é a seguinte: “Será que um projeto de lei de iniciativa popular, que esteja devidamente aprovado na comissão de constituição e justiça, e comprovadamente sem vícios de legalidade, deveria ser submetido à votação dos corruptos, ou seria mais correto que entrasse em vigência diretamente após sansão presidencial?
O dispositivo da lei de iniciativa popular necessita de uma melhor regulamentação para permitir inclusive que o povo possa “deseleger” políticos que depois de eleitos pratiquem atos de improbidade. Uma maneira de evitar que safados e desonestos permaneçam no poder através de medidas liminares judicias. O povo que o elegeu deveria ter o poder de “deseleger” e sem direito a recurso.
Se o poder emana do povo e em seu nome deve ser exercido, não há que se discutir a ordem emanada diretamente da vontade popular.
Afinal o poder somos nós, ou são eles?

João Lúcio Teixeira

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

O LULA VAI DEIXAR MUITA GENTE DOIDA

Dias atrás, em conversa com amigos da área militar soltei um comentário talvez inadequado para o ambiente. Eu disse que a pressão sobre o Lula era tão exacerbadamente grande que se prosseguissem acabariam elegendo o Lula a presidente no primeiro turno.
Foi duro ouvir as respostas que vieram com todas as conotações e palavrões possíveis e imaginários. Uns diziam aquele ... devia estar na cadeia, outros o maldito comunista precisa ser morto pra deixar o Brasil em paz. Eu reagia com um misto de riso e seriedade ao perceber o ódio estampado no rosto deles.
Eu justificava o meu entendimento com base no trabalho jornalístico de quase dez anos que realizei em rádios de Caraguatatuba, atividade que me permitia enxergar do outro lado da informação. Mesmo assim diziam que eu estava louco.
Ontem o Instituto Data Folha publicou o resultado de uma pesquisa dando conta de que o Lula está com 30% de intenção de votos em consulta estimulada, daquelas em que o pesquisador mostra um disco com os nomes e fotos dos candidatos. Marina em segundo tem pouco mais de 11, Bolsonaro um pouco menos em terceiro e Aécio em quarto com 10%. Ciro tem 5.
Eu estava certo pelo menos até o momento já que se a eleição fosse hoje o Lula poderia ser eleito no primeiro turno.
Se é bom para o Brasil eu não sei, mas parece menos perigoso do que a atual estrutura de poder baseada no PMDB.
O PT se for considerado uma quadrilha ela é bem menos grandiosa do que o bando que ocupa os cargos hoje, que mostram claramente que desejam se blindar e continuar dominando a política brasileira com atitudes claramente favoráveis ao empresariado e aos ricos. 
Nunca se viu nesse país tantos casos de corrupção como se tem visto depois que o Temer assumiu.  

João Lúcio Teixeira - Jornalista

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

ESPÍRITO SANTO

EM NOME DO PAI, DO FILHO, E DO ESPÍRITO SANTO
O que aconteceu no Estado do Espírito Santo com a polícia militar no interior dos quartéis e um grupo de mulheres reunidas no lado externo das portas dos quartéis impedindo que as viaturas saíssem para o trabalho de policiamento, perfaz situação de extrema delicadeza na ordem pública e social do país.
Quando os cidadãos normais foram às ruas em manifestações contra o governo, as policias usaram de todas as formas de repressão, balas de borracha, gás lacrimogênio e escudos, em esforço para combater as manifestações populares. No Espírito Santo, nada disso foi feito e as mulheres que se intitulavam esposas de policias militares, sequer foram identificadas para conferir se de fato se tratavam somente de esposas de militares.
O fato é que durante as manifestações das mulheres por aumento de salário dos policias, cerca de 130 pessoas foram assassinadas no estado e agora depois de encerrado em tese o protesto, surgem notícias dando conta de que parte desses assassinatos teriam sido praticados por policias militares e por grupos de extermínio envolvendo esses profissionais. Sendo isso verdade, tem-se que parte dos membros da polícia estariam praticando crimes comuns e quem sabe até, estejam a serviço do crime organizado.
Segundo o filósofo Leandro Karnal, o fato mostra que podemos estar próximos de um rompimento no tecido democrático, o que provocaria uma desordem social e quem sabe desintegração do sistema político nacional. Isso é muito grave, e pode levar a uma Síria cujo governo enfraqueceu ao ponto de permitir-se acuada por uma nova ordem de cunho religioso o Estado Islâmico, que vem implantando o terror no mundo. O que poderia ocorrer no Brasil é uma incógnita e quem sabe um estado de cunho religioso com fundamentos radicais. O que está ruim pode piorar, do mesmo jeito que achavam que a queda da Dilma seria a solução dos problemas do Brasil.
O fato, ruptura institucional, já ocorreu na Rússia em 1917, com uma revolução popular incontrolável, com o surgimento do Partido Bolchevique que implantou a União Soviética que durou até 1991, com re3gime comunista duríssimo, e na França no século XVIII que resultou na revolução francesa, com a Monarquia Absolutista que governava a França por séculos tendo entrado em colapso com a perda do controle da nação (1789).
As instituições precisam funcionar corretamente e nenhum movimento social pode ser mais importante do que a estabilidade do estado, a menos que uma multidão de grande porte estivesse rebelada, o que não foi o caso.
O Brasil já tem alguns pontos fracos na sua organização que o tornam de certo modo vulnerável, como o caso da falta de ética na polícia que resulta em deputados e senadores que não representam o desejo do povo, mas o desejo dos grupos que eles representam, ou ainda com a fraqueza do poder executivo que vive de cabeça baixa diante do legislativo, quando o correto seria cada poder com a sua parcela de independência sem com isso fugir ao controle institucional. Anda bem que o poder judiciário tem funcionado de forma a manter em parte o equilíbrio institucional.
O brasileiro está acostumado a lidar com a política como se ela fosse o futebol, onde cada um tem o seu time, mas se houver derrotas a vida vai continuar. Na política é diferente porque os empregos, as escolas, os hospitais, as liberdades individuais ficam atreladas ao bom funcionamento da república.
Desse modo, há de se convir que em algum momento as garantias sociais e políticas devem ser preservadas a qualquer custo, e deveria ter sido assim no Espírito Santo onde pequenos grupos de mulheres que se diziam esposas de militares impediram o regular funcionamento do Estado.
A força não é para ser usada contra o povo e a favor dos políticos como se vê na Venezuela, mas é para ser usada na defesa dos interesses do povo, que tem direito à garantia de segurança, saúde, educação, transporte público, e que portanto não pode ter esses direitos bloqueados por grupos que se amotinam a impedir o regular funcionamento do estado.
Não se prega a violência, mas o emprego de formas pacíficas e eficientes de fazer valer as atividades de Estado.

João Lúcio Teixeira 

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

EM CARAGUÁ É TUDO MUITO CARO

Se alguém compra um imóvel de cerca de 200 mil reais em São José dos Campos-SP, vai arcar com despesas da ordem de cerca de 8500 reais para fazer a escritura e registrá-la regularmente.
Em Caraguatatuba esse valor passa de 13 mil reais para se fazer o mesmo serviço.
Será que Caraguatatuba tem virtudes, como cidade, que São José não tem?

GOVERNO FEDERAL DESMENTE BOATO SOBRE CNH

O governo federal tratou de desmentir hoje cedo a informação que vinha circulando na rede social sobre nova lei que estabelecia uma taxa para todos os motoristas habilitados no Brasil e o valor era próximo de 300 reais. O governo em nota oficial desmentiu a informação e diz que não é nada verdadeira essa historia de taxa de habilitação de motoristas.
O fato serve para mostrar que não dá para acreditar em tudo que é publicado na rede social como o Face ou no Zap porque qualquer pessoa pode inventar um fato e torna-lo público. Convém ter cuidado com tudo o que chega ao nosso endereço eletrônico.

A REDE PÚBLICA DE SAÚDE SEM VACINA

Os postos de saúde da cidade de São José dos Campos não estão disponibilizando a vacina contra a febre amarela, e quem procura os postos que até ontem aplicavam tal vacina, vai encontrar a orientação de aguardar a chegada de novos lotes. Isso é problema para quem vai viajar para regiões que possam estar com o problema. A complicação é alguém voltar de viagem portando o vírus e aqui difundir a doença. 

RECEITA PARA PASSARMOS O BRASIL A LIMPO

O valor de uma pessoa depende da cultura do grupo a que esteja submetida, à sua convivência social ou ao seu nível cultural acumulado ao longo da vida. Perante os antropófagos, uma pessoa pode valer segundo o seu peso e a quantidade de carne do seu corpo que poderá sustentar mais ou menos pessoas. No ambiente circense o anão tem grande valor, fazendo crer que o valor de cada indivíduo depende da situação vigente no meio em que vive.
Em um ambiente em que as pessoas sejam evoluídas ao ponto de pensarem nos valores coletivos de suas comunidades, o significado de cada indivíduo vai decorrer da sua capacidade de contribuir para o desenvolvimento social coletivo, de forma que os indivíduos deixam de lado o seu interesse pessoal e projetam a sua visão em direção ao melhoramento das instituições, como escolas públicas, saúde pública, cultura pública, segurança e tudo o que seja realmente de interesse geral em detrimento do individual. Nesta linha de pensamento o que importa é o todo do conjunto estrutural do grupo social sem distinção de classe, raça, e credo.
As coletividades são formadas pelo rico, pelo pobre, pelos pós doutorados, os analfabetos, negros, brancos, baixos, altos, magros e gordos e assim vai sendo composta a diversidade de indivíduos que perfaz o todo. O valor de um indivíduo deveria ser considerado segundo a sua capacidade de contribuir para com o desenvolvimento do todo, de forma a emprestar o seu diploma, o seu conhecimento, e o seu trabalho não somente em favor da sua evolução pessoal ou de seus familiares, mas que parte do seu poder de realizar coisas boas fosse destinado ao que se chama de filantropia, um termo de origem Grega que significa: “amor à humanidade”.  Se cada indivíduo que se destaca decidisse emprestar parte do seu sucesso ao desenvolvimento do conjunto social, certamente o mundo seria mais humano, solidário e acima de tudo menos miserável. Ocorre que alguns “idiotas” (no bom sentido) acham que quanto mais rico melhor e quanto mais longe da pobreza menos contaminado estará, assim como há também os que usam da riqueza, do poder ou do seu conhecimento para humilhar os menos afortunados e submetê-los aos seus caprichos, como se alguém ajoelhado aos seus pés fosse acentuar a sua pretensa nobreza. Puro “ego” distorcido por neuroses bem comuns nos tempos atuais.
O valor de uma pessoa se expressa na sua capacidade de melhorar o mundo em que vive, e é medido acima de tudo pela sua simplicidade que não lhe proibirá de sentar ao lado de um pobre, de um negro, nordestino, sulista, novo ou velho, bonito ou feio, e que vai sensibilizar-lhe a alma até que consiga sentir que as diferenças entre pessoas são a causa de todas as doenças sociais urbanas. Quanto maior a cidade e mais pessoas acumuladas, maior a problemática da convivência e maior o índice de violência que apavora as famílias.
Que mundo é esse em que estamos vivendo, se a desordem social que impera no poder público já atingiu até os presídios onde presos de uma facção matam e cortam as cabeças dos seus adversários no mundo do crime?  
Não estamos conseguindo controlar as populações carcerárias cuja prisão teria por finalidade a reeducação de pessoas que deveriam estar submetidas a processos disciplinares de altíssima rigidez, a permitir que os homens que erraram um dia pudessem ser cidadãos do bem assim que libertados.
Os governantes afirmam não terem condições de resolver a situação, a força bruta não tem recomendação depois do Carandiru em São Paulo onde morreram 111 presos durante a invasão do presídio para conter motins.
Diante de tudo isso, cabe perfeitamente a indagação que visa saber onde estaria a possibilidade do reequilíbrio dessa anarquia social. Quem deve ser responsável por tudo isso se não for a sociedade como um todo, que permite que uns tenham bilhões e outros não consigam sequer ter acesso ao conhecimento que lhe permitiria oportunidade de trabalho digno e salário suficiente. Estamos produzindo alguns milionários que nem sempre realizam as suas atividades de maneiras séria e socialmente responsável, obtendo lucros através de sonegação de tributos, de exploração e mão de obra escrava, da falsificação de produtos, da participação em concorrências públicas fraudadas, de compra de voto e de corrupção no poder público, e na outra ponta estamos produzindo miseráveis do ponto de vista econômico e miseráveis de conhecimento e de educação. Culpar os pobres e miseráveis pelo desconforto dos ricos virou moda, e há quem torça para que eles se matem nas cadeias como forma de se livrarem dos monstros que a própria sociedade gerou com essa maldita mania de proteger o patrimônio de quem tem contra o desejo de quem não tem e que gostaria de ter. A luta deixa de ser entre pessoas e passa a ser entre classes sociais. Roubar é crime, mas se não há proteção e direcionamento correto das crianças, os adultos serão sempre problemáticos. A questão não é só de investimento de dinheiro público em setores onde há necessidade, mas de profunda investigação permanente na aplicação desses recursos para que se evitem os desvios e as safadezas de agentes públicos políticos ou não, que fazem qualquer orçamento ser insuficiente.
Depois de muito meditar eu pensei de forma radical que nem os ricos pensam quando desejam pena de morte para criminosos comuns e conclui que o ideal seria se instituir pena de morte para certos criminosos e pena de morte para certos políticos e agentes públicos desonestos, porque a bandidagem que está rebelada nos presídios é a mesma bandidagem que está confortavelmente instalada nos palácios. O resto da população, aliás a sua maioria é apenas vítima de ambas as facções.
João LúcioTeixeira                                                                                                                                                        

 MTb 83.284

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

FILOSOFAR É BOM

Algumas frases importantes para mostrar que a filosofia nunca deveria ter sido expulsa da escola pública brasileira e sua importância na ordem social é fundamental. Pensar é necessário.

"A vida sem reflexão não merece ser vivida" -  Sócrates

"Nada caracteriza melhor o homem do que o fato de pensar" -  Aristóteles

"Tudo era um caos até que surgiu a mente e pôs ordem nas coisas". Anaxágoras.

A diferença entre o homem e os animais é a mente que permite ao homem mentalizar, planejar, calcular, estabelecer objetivos e desejar viver melhor. Os animais são movidos pelo instinto, quando têm fome procuram comida, quando têm sede busca a bebida, e se têm sono dormem. O homem pode controlar tudo isso e planejar os passos futuros. 
Quem estiver vivendo orientado pelo instinto está vivendo como bicho e não como gente.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

O BRASIL BATEU NO MURO DO LUCRO PELO LUCRO

O BRASIL BATEU NO MURO DO LUCRO PELO LUCRO

À noite, antes de pegar no sono, eu tenho o hábito de ouvir baixinho alguma rádio ou alguma matéria publicada no You Tube, já que o meu rádio de cabeceira é conectado à internet. Naquela noite, eu sintonizei o vídeo (só áudio) em que três importantes filósofos da atualidade brasileira, Leandro Karnal, Luiz Felipe Pondé e Mário Sérgio Cortella estavam no programa Roda Viva, e debatiam no âmbito da filosofia, temas de profunda significância.
Chamou-me a atenção a intervenção do Karnal que, ao analisar a realidade política brasileira ponderou que os governos Fernando Henrique, Lula e Dilma são os responsáveis diretos pela situação socioeconômica em que se encontra o povo brasileiro, já que os três cometeram um equívoco básico nos seus conceitos de governabilidade. Em todos os casos o brasileiro foi olhado como consumidor, e não como cidadão, em um modelo econômico de pouca consistência em se tratando de auto sustentabilidade, uma vez que somente os fatores ligados à economia eram levados em conta nos projetos de governo, como se tudo se resolvesse com a ideia de ter, possuir, disputar e conseguir. Esse ambiente de consumismo exacerbadamente incentivado, gerou sonhos de consumo que o brasileiro não consegue mais satisfazer. O cidadão aprendeu que ter dois carros, celulares com acesso à internet para toda a família inclusive crianças, consumir refrigerantes e sucos industrializados diariamente, pedir pizza pelo telefone no jantar, usar roupas de marca, viajar de avião, era tudo conquista dos governos “economicistas” de FHC, Lula e Dilma. Esqueceram de olhar o povo, não somente como consumidor, mas como cidadão, daquele que tem consciência dos limites do consumo e da necessidade de organizar a vida financeira dentro dos limites do seu próprio poder aquisitivo. Para isso, teria que haver uma evolução cultural e educacional para que o povo adquirisse a capacidade de conviver com a nova realidade sem se endividar além dos limites ou sem adquirir coisas além do necessário, numa forma de consumo consciente.
Não cuidou o governo de controlar com mãos de ferro a escandalosa exploração dos bancos e cartões de crédito contra os cidadãos que pagam até hoje, cerca 450% ao ano pelo dinheiro que utiliza desses estabelecimentos que nada produzem e nada acrescentam ao bolo econômico.
O endividamento ainda foi incentivado com o tal “empréstimo consignado”, um absurdo contra pensionistas e aposentados com o desconto obrigatório das parcelas em seus salários, tendo como principais vítimas os idosos, que sem capacidade de resistência, andam pagando prestações de motos e celulares para um monte de netos e filhos folgados que querem viver vida de rico sem trabalhar. Outra barbaridade foi a desoneração de impostos que o governo Lula concedeu à indústria para incentivar o consumo sem que o estado recebesse o que lhe era de direito, o imposto.
Deu no que deu e nós estamos convivendo com uma situação de difícil controle no risco de ver tudo perdido e termos que começar de novo do zero em matéria de economia. Economia é ciência exata com regras e limites que não foram respeitados nos últimos tempos.
Segundo Freud e outros pensadores da psicanálise, a vida no mundo econômico é feita de projetos e desejos, que geram sonhos que quando realizados geram felicidade. Dizem eles que as doenças mentais e os distúrbios de comportamento, são resultados de sonhos não realizados, já que uma vez gerado o desejo do consumo de algum produto que nos chame a atenção, estará instalada na mente da pessoa a vontade de comprar o seu objeto de desejo. Quando este desejo não é realizado surge a frustração que gera a indignação, o sofrimento e daí as doenças como depressão, ansiedade e outras formas de neuroses que perturbam a pessoa. Tomados pela neurose, uns vão para a droga, outros vão roubar, outros se fecham no quarto, uns choram, outros viram presos ou pacientes em hospitais psiquiátricos e ainda há o chato que vive reclamando de tudo.
No sistema consumista, a desesperança irá certamente desorganizar a sociedade podendo resultar no que se viu nas últimas semanas nos presídios do Brasil, onde presos assassinam presos em massacres que chamam a atenção do mundo, por briga pelo domínio do estado paralelo que a criminalidade organiza e isso já ocorreu em inúmeros outros países onde o estado se omitiu, ou praticou políticas equivocadas. Nascem assim as mentes doentias geradas pela infelicidade do sonho não realizado.
Nós erramos ao achar que com um povo tão simples em matéria de educação e cultura, pudéssemos ser “primeiro mundo”. Não existe país evoluído com povo medíocre. Segundo Karnal na entrevista à Roda Viva, e por mais que seja antipática a comparação, Cuba resolveu a educação de seu povo em três anos, o que nós não conseguimos durante os últimos cinquenta anos.
A ciência no Brasil, deu a sua contribuição e inventou a urna eletrônica que faz do nosso sistema eleitoral um dos melhores do mundo, mas a qualidade do voto que é nela depositado é um desastre.
O certo é que o conservadorismo dessas políticas que só olham para inflação, bolsa de valores, moedas, consumo e lucro, não vai resolver os principais problemas desse povo pobre metido a rico que somos nós. Chega de falarmos somente em inflação, moeda e aumento de produção, porque chegou a hora de virarmos gente que pensa e que consegue se defender das armadilhas do capitalismo selvagem e do lucro pelo lucro, e que vai conseguir votar em políticos mais dignos.
João Lúcio Teixeira

Economista

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

CADÊ A LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL?

SER PREFEITO NÃO É BRINQUEDO

O que mais se ouviu nestes dois últimos dias, são prefeitos eleitos e empossados reclamando das dívidas que seus antecessores deixaram. Há no Brasil uma lei de responsabilidade fiscal que foi criada justamente para impedir que isso ocorresse, e que os ex-prefeitos que praticaram gastos maiores do que a possibilidade de pagamento do município fossem responsabilizados civil e criminalmente.
O orçamento dos municípios decorre de um projeto de lei que o prefeito encaminha à câmara municipal para que seja aprovado, e lá constam todas as receitas e despesas que serão praticadas no ano seguinte. Se há previsão orçamentária e há provisão das despesas, nunca se poderia imaginar que a despesas possam ser maiores do que a arrecadação.
São inúmeras as cidades brasileiras que estão com esse problema de não ter conseguido saldar os seus compromissos no ano passado, e há muitas delas que não têm sequer dinheiro para folha de pagamento de seus funcionários.  Alguns alegam que houve queda de arrecadação. Ora, se a arrecadação não se realizou, a despesa que fora projetada com os recursos advindos dessas arrecadações que não se realizaram, não poderiam ter sido praticadas ou teriam que ser canceladas antes de se operar a possibilidade de inadimplência. Quem não tem dinheiro não pode gastar o que não tem e só se poderia admitir qualquer desequilíbrio em caso de catástrofe ou outros motivos de força maior.
O fato é que existem inúmeros prefeitos que sequer conseguem controlar a própria vida particular ou por falta de juízo ou por falta de conhecimento, e se metem a dirigir erários públicos.
São os tais ”estrelões” que ao se candidatarem achavam que iam ser os melhores gestores do mundo ou, quem sabe, enriquecerem a si e aos seus, não importando quem sairia prejudicado.
Já passou da hora de os prefeitos que assumem o cargo encaminharem os relatórios sobre gestões temerárias ao ministério público para que a lei de responsabilidade fiscal seja de fato aplicada e cada um gaste somente o que é possível, sem que haja nenhum prejuízo por exemplo aos salários dos servidores e das contas como energia elétrica, agua e outras despesas necessárias ao funcionamento do governo. Se não há dinheiro que não se façam obras, principalmente obras desnecessárias ou não prioritárias.
Ser prefeito não pode ser mais divertimento de vaidosos e incompetentes, mas deve ser uma missão que se mal desempenhada mande o sujeito para a cadeia por um bom tempo, evitando-se que curiosos se arrisquem em candidaturas sem nenhuma explicação válida.
Quem sabe já não seria o caso de exigir atestado de vida limpa e de conhecimentos técnicos para se dirigir uma cidade e substituírem-se os politiqueiros por gestores.
O Brasil não aguenta mais ser roubado ou mal gerenciado e ver gente enriquecendo à custa de operações temerárias ou criminosas de agentes públicos.
João Lúcio Teixeira

Jornalista